Que o dia te seja limpo

Que o dia te seja limpo

Que o dia te seja limpo é uma promessa cujo epicentro é a podridão humana – é dela que se quer falar através da relação entre as palavras de Al Berto e os corpos que tes­tam os seus limites. Procura-se, mais do que uma nova temática, uma outra abordagem teatral, que comece pelo corpo em cena e a partir dele construa a dramaturgia de uma poesia que, sem dúvida, provoca a necessidade de uma nova conceção de “belo”.

Como experiência teatral, pretende-se construir uma nova gramática e estética para a cena, sendo evidente a importância que o cenário tem, não como elemento visual, mas antes como potenciador de sentidos, sensações e relações com o meio. Pode dizer-se, sim, que esta estética é um risco e de risco – porque pretende ser, também ela, representativa deste universo laboratorial intrinsecamente ligado à prática do teatro como instrumento do pensar.

Por isso mesmo, para além de dois atores, fazem parte deste projeto jovens, que colaboram com um pensamento menos povoado de conceitos e termi­nologias, mas com certezas de uma outra cor, que sem dúvida estimulam o pensamento além da esfera de trabalho/relações habituais, impulsionando a discussão, a descoberta e a construção de um objeto artístico plural, quanto ao tipo e número de referências, e am­plo, quanto ao significado dos seus valores.

Neste espetáculo acende-se um rastilho: há pólvora nas palavras, nos corpos, nos espaços vazios que o cenário se preenche com a luz. Quer-se que a interpretação com­porte esta dimensão do perigo, de uma iminência que temos, em comum, que nos junta e nos torna massa anónima, carne, gente. E é, sem dúvida, um ato de cidadania – por isso mesmo; é um ato desgarrado de “políticas” mas, sim, pregado à Humanidade, como o todo dos indivíduos e, por isso mesmo, fala-se, em simultâneo, da multidão e de cada um – sem metáforas ou eufemismos, fala-se somente do Homem, procurando, de alguma forma caricaturar a carne chamando-a a depor sobre Nós: quem somos, do mais escuro à luz do ser.

Ficha Artística e Técnica

criação e direção de Actores Daniel Gorjão | apoio ao movimento Maria Azevedo Carvalho | dramaturgia Cátia Terrinca | interpretação Cátia Terrinca, Rui Palma | participação especial André Delgado, Carolina Arantes, Filipe Dias, Gabriel Lapas, Mariana Almeida e Tiago Faria (adolescentes de Minde/Alcanena) | desenho de luz Miguel Cruz | som e vídeo Sara Vicente | figurinos Matilde Azevedo Neves | produção João Figueiredo Dias e Sara Garrinhas | direção técnica Sara Garrinhas | apoio à divulgação Tiago Mansilha

[Coprodução Teatro do Vão e Festival Materiais Diversos]

Duração | 60 minutos
M/16

Estreia | 19 de Setembro de 2013 | Cine-Teatro S. Pedro, Alcanena
Reposição | 8 a 11 de Maio de 2014 | Teatro Taborda-Teatro da Garagem, Lisboa